Como preparar uma infusão medicinal

preparar um chá de ervas

O poder da infusão

As plantas medicinais são uma óptima alternativa a medicamentos químicos no tratamento das mais variadas doenças e patologias. Podem ser utilizadas como meio de prevenção ou de tratamento de doenças simples; no entanto, em caso de doenças com implicações ou consequências mais graves torna-se indispensável consultar um médico especializado. Contudo, mesmo nessas situações as plantas medicinais podem constituir um apoio à restante medicação, potenciando os seus resultados e/ou diminuindo as doses necessárias.

É, sobretudo, um meio natural e saudável de se tratar, que por vezes assume contornos bem mais agradáveis do que alguns xaropes ou comprimidos. Uma das formas mais comuns é a infusão, habitualmente referida como “chá”.

Infusão e cocção

Uma infusão medicinal prepara-se, basicamente, da mesma forma que qualquer chá: coloque a planta em questão (concretamente, a parte mais apropriada, que podem ser as folhas ou as flores) e, tapando, deixe repousar durante 10 a 15 minutos – a duração varia conforme o tipo de planta, mas este período é o mais comum. A quantidade mais habitual é também definida consoante o tipo concreto, mas 20 gramas em cada litro de água é uma quantidade considerada normal.

Além da infusão propriamente dita, pode também cozinhar a planta através de um processo chamado cocção. A duração do processo depende da planta, tanto pode chegar aos 15 minutos como ficar-se por menos de 5. A cocção é mais indicada para raízes, cascas e sementes, devido às suas propriedades, que se poderiam perder através da infusão normal.

Um pormenor importante na preparação destas infusões é a quantidade que prepara. Deve fazer a infusão apenas para o próprio dia, não caindo na tentação de poupar trabalho e fazer logo grandes quantidades. As propriedades das plantas vão desaparecendo com o tempo e pode mesmo ocorrer um processo de fermentação ao fim de um dia, mesmo que mantenha a infusão no frigorífico.

É também recomendável que utilize apenas recipientes de vidro ou loiça, evitando sobretudo o metal: este afecta não só o sabor, mas a própria eficácia medicinal da infusão.

Sabor amargo?

Ao contrário dos chás e infusões recreativas, estes preparados medicinais não necessitam açúcar ou outro tipo de adoçante, devendo ser tomados no seu estado natural. Ainda assim, e sobretudo nalgumas doenças específicas (como tosse, constipações e irritações na garganta), poderá adicionar mel que, além de ser útil para o tratamento, irá também garantir um sabor mais doce. No entanto, tenha em atenção que o calor é prejudicial para as características medicinais do mel, pelo que apenas o deverá adicionar quando a infusão já se encontrar morna ou à temperatura ambiente.

Quando tomar e durante quanto tempo

Sabendo que pode tomar a infusão várias vezes ao dia, o ideal será fazê-lo sempre em horários afastados das refeições: por exemplo, a meio da manhã, a meio da tarde, ou à noite, antes de se ir deitar. A excepção óbvia é o caso da infusão estar directamente relacionada com problemas de alimentação ou do sistema digestivo, principalmente se tiver como objectivo abrir o apetite. Mesmo nesses casos, deverá tomá-la cerca de 30 minutos antes da refeição.

Duração do tratamento

Mais do que com os medicamentos químicos, o organismo humano (e concretamente, as patologias de que este padece) adapta-se com facilidade à acção das plantas, criando um efeito de habituação. Existem várias plantas diferentes para as mesmas patologias, exercendo as mesmas acções através de métodos distintos.
Como tal, não será recomendável que utilize exactamente a mesma planta durante mais de um mês, sendo preferível que a alterne com outra para conseguir o mesmo efeito.

Utilização alternativa

Provavelmente, a primeira coisa que lhe virá à mente quando se fala no uso de uma infusão é… bebê-la. Mas existem várias outras formas de utilização, não só internas, mas também externas.

Se quer tratar problemas na boca ou na garganta, pode-se limitar a gargarejar a infusão, deixando-a estar em contacto directo mais prolongado com as áreas que pretende tratar. Nesse caso, pode ao mesmo tempo utilizar uma concentração mais elevada e/ou adicionar algum sal à infusão, que tem uma óptima capacidade anti-inflamatória.
Outra utilização interna é a inalação dos vapores da infusão (enquanto ferve), especialmente indicada para problemas respiratórios.

Variando com o tipo de problema que o afecta, o uso localizado e externo pode ser igualmente – ou até mais – eficaz. Pode utilizar a infusão em compressas aplicadas nas áreas lesadas ou fazer lavagens com as mesmas (mais comum quando o problema se encontra nas mãos ou nos pés, ou mesmo em clisteres, para problemas intestinais). Outra opção são banhos de imersão, juntando grandes quantidades da infusão à água na banheira. Estes banhos são especialmente recomendados para problemas musculares ou relacionados com as articulações, nos quais pode e deve repousar e relaxar.

A sua votação: 
Average: 4.3 (108 votos)